Outro dia, banquei a
valente e fui fazer uma das coisas que mais amo: acampar –
sozinha.
Eu acampei por muitos
anos com meus filhos. Desde que eles eram bem pequenos ...
Engraçado. Antes de
começar a acampar eu sabia que camping existia,
claro. .Mas pensava que deveria ser terrível, desconfortável e frustrante. Que
só acampavam as pessoas que gostassem de praia e não tinham outra maneira de
usufruí-la. Que, então, se submetiam àquela tortura... Eu era uma dessas
pessoas, só que não tinha coragem de enfrentar a “tortura” dos campistas então,
alugava uma casa por pouquíssimos dias em uma praia qualquer e o restante das
férias de verão contentava-me em frequentar algumas tardes, a piscina de um
clube em que éramos sócios. Lembro-me de o quanto me frustrava ver as notícias
do verão na praia no jornal nos fins de tarde.
Nesta época, conheci
uma pessoa que se tornou grande amiga minha. Ela contou-me “o que era acampar”.
No início das férias ela descia para um camping com toda a família e só
retornava no final das férias... Confesso que aguçou profundamente minha
curiosidade, então, no verão seguinte, me enchi de coragem, providenciei uma
barraca, alguns itens indispensáveis, e lá fui eu com meus dois filhos... Fui
muito corajosa porque de cara enfrentei 45 dias ininterruptos acampando.
Confesso que o único sofrimento que enfrentei foi na hora em que percebi que as
férias estavam no final e que precisava desmontar minha barraca ...
Desde então, por
muitos anos eu acampei naquele local... Formávamos uma comunidade de campista
muito interessante, muito boa. Ali só nos encontrávamos nas férias de verão... “Velhos tempos, belos dias”...
Mas, como nada dura
para sempre o camping se desfez. No
lugar das árvores frondosas, dos pássaros cantando, dos gritinhos e risadas das
crianças, do bate papo, da comunidade que se formava, das amizades que se
firmaram, hoje tem blocos de apartamentos, prédios. O grupo de campistas se
perdeu. Uns foram para outros campings, outros compraram casa, outros
simplesmente desistiram de acampar, outros se dispersaram por outros
campings... Eu acampei por mais dois anos, por poucos dias... Então, também
desisti e assim fiquei por alguns anos... Mas, no verão me sentia frustrada...
Algo vital me faltava...
Como falei no início,
outro dia, banquei a valente e fui fazer uma das coisas que mais amo: acampar –
sozinha. Foi tudo de bom!!! Novo
camping, novas amizades! Novos belos dias...